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Solução chinesa ou solução democrática?

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Notas do Facebook e Twitter, 27.09.2020

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Primeiro, a China, desde 1980, mostrou um crescimento econômico e uma melhoria dos padrões de consumo acima de qualquer experiência mundial anterior. Entre esse ano e hoje multiplicou o seu PIB por 23 vezes, enquanto os Estados Unidos o multiplicavam por 2,5 vezes. Tornou-se, assim, a maior economia do mundo.



Mais recentemente passou a competir pela hegemonia ideológica mundial, o que parece absurdo, porque sua renda per capita continua a ser muito menor do que a americana, e o regime político continua a ser autoritário. Na China não se respeitam os direitos civis e há um partido único.



Não obstante, Xi Jinping vem sendo cada vez mais insistente em comparar a “solução chinesa” com a americana. Com isso ele quer dizer que o governo da China é muito mais capaz de promover o desenvolvimento econômico, elevar os padrões de consumo e proteger o ambiente.



Nesta semana, enquanto Trump continua a acusar tolamente a China de ter espalhado pelo mundo o Covid-19, Xi Jinping anunciou que a China alcançará o pico de emissões de carbono antes de 2030 e será neutra em carbono até 2060. São dois compromissos fundamentais para a sobrevivência da humanidade.



Hoje, no mundo, a liberdade individual ainda vale mais do que a proteção contra o aquecimento global. A liberdade se alcança aqui e agora, enquanto a mudança climática é uma ameaça a sobrevivência do homem sobre a terra que apenas recentemente está começando a se tornar visível para todos.



Não há razão, porém, para fazermos escolhas; é possível ter liberdade e controlar o aquecimento global. Mas, para isto, está claro que não podemos contar com a liderança dos Estados Unidos – um país cada vez mais dividido no qual a democracia vem se deteriorando ano após ano.



Seu povo e suas elites sempre moderaram o individualismo liberal com o republicanismo de seus founding fathers. Nos últimos 40 anos, porem, povo e elites foram tomados poru, um neoliberalismo individualista que, além de ineficiente, é incompatível com a liberdade e a justiça .



Felizmente temos a Europa Ocidental, que também foi vítima do neoliberalismo, mas onde as ideias social-democráticas e desenvolvimentistas estão renascendo. Os europeus têm mostrado muito mais empenho na proteção do ambiente do que os Estados Unidos. Eles podem confirmar que a solução democrática é melhor do que a solução chinesa.