OTHER TYPES OF WORKS

  • 05-2010-capa-globalixacion-y-competencia
  • 03-2018-capa-em-busca-de-desenvolvimento-perdido
  • 01-2021
  • 02-2021-capa-a-construcao-politica-e-economica-do-brasil
  • 13-1988-capa-lucro-acumulacao-e-crise-2a-edicao
  • 2006-capa-as-revolucoes-utopicas-dos-anos-60
  • 10-1998-capa-reforma-do-estado-para-a-cidadania
  • 07-2004-capa-democracy-and-public-management-reform
  • 15-1968-capa-desenvolvimento-e-crise-no-brasil-1930-1967
  • 09-1993-capa-economic-reforms-in-new-democracies
  • 10-1999-capa-reforma-del-estado-para-la-ciudadania
  • 09-1993-capa-reformas-economicas-em-democracias-novas
  • 08-1984-capa-desenvolvimento-e-crise-no-brasil-1930-1983
  • 17-2004-capa-em-busca-do-novo
  • 04-2016-capa-macroeconomia-desenvolvimentista
  • 2014-capa-developmental-macroeconomics-new-developmentalism
  • 16-2015-capa-a-teoria-economica-na-obra-de-bresser-pereira-3
  • 12-1982-capa-a-sociedade-estatal-e-a-tecnoburocracia
  • 05-2009-capa-globalizacao-e-competicao
  • 06-2009-capa-construindo-o-estado-republicano
  • 05-2010-capa-globalization-and-competition
  • 05-2009-capa-mondialisation-et-competition
  • 11-1992-capa-a-crise-do-estado

Qual oposição?

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Nota no Facebook, 26.7.2017

In this note, the author summarizes his critiques to the Brazilian government, which was born from a political coup, and the economic elites that support it. But he is also critical of a radical discourse on the part of the left, which is incompatible with the nation and the democracy.


Estou preocupado com a radicalização do discurso da esquerda brasileira desde o impeachment.

Sim, estamos na oposição ao governo brasileiro desde que ele foi instalado através de um golpe parlamentar.

Sim, somos críticos das elites econômicas e da grande mídia brasileira que apoiaram esse golpe tramado por uma quadrilha de políticos oportunistas.

Sim, criticamos as reformas neoliberais que estão sendo adotadas pelo parlamento, as quais colocam todo o peso do necessário ajuste econômico que o país precisa nos trabalhadores e nos pobres.

Sim, as elites econômicas brasileiras conduzem uma luta de classes de cima para baixo desde que adotaram o discurso neoliberal produzido por seus economistas e demais intelectuais orgânicos.

Sim, em 2014 a nova direita brasileira inaugurou um discurso de ódio.

Sim, é importante que nós partilhemos essas ideias e essa indignação enquanto cidadãos democráticos, desenvolvimentistas e de centro-esquerda. Para nós a democracia é um bem inegociável; o desenvolvimento, um objetivo que só um governo desenvolvimentista e competente será capaz de assegurar; e a diminuição das desigualdades, o grande problema brasileiro que depende não apenas de uma política deliberada de diminuição da desigualdade, mas também do desenvolvimento econômico.

Mas vejo com preocupação que o ódio tomou  conta também  da esquerda desde o impeachment. Ora, esse discurso é incompatível com a democracia e a construção da nação. Nele, não é apenas o governo Temer, mas todas as elites econômicas e a grande mídia que aparecem como um bando de criminosos voltados para a exploração dos trabalhadores. Isto não é razoável. Nas democracias existem sempre uma direita e uma esquerda, desenvolvimentistas e dependentistas, mas é essencial que se respeitem e dialoguem.

É também preocupante a forma pela qual o Judiciário vem sendo tratado. Sim, o juiz Sérgio Moro e sua força tarefa de procuradores da República têm agido de forma parcial contra o ex-presidente Lula e o PT, e vem adotando práticas, como as conduções coercitivas de pessoas para depor, as prisões provisórias sem motivos apoiados na lei, e o uso de delações e seu vazamento, para desmoralizar políticos e empresários. Mas isto não justifica ver todo o Judiciário dessa maneira.

Sim, devemos estar na oposição a tudo isso, mas essa oposição deve ser democrática. A democracia não foi um projeto das elites, mas do povo brasileiro; o apoio das elites econômicas à transição democrática (1964-1984) só ocorreu no final de um longo período de lutas populares. Conquistamos a democracia em 1985 e uma Constituição democrática em 1988. Em seguida, iniciamos um processo de diminuição das desigualdades, que ganhou força com a eleição de um presidente de esquerda em 2002.

A direita respeitou a democracia até 2016, quando, em face à crise profunda do governo Dilma Rousseff, a traiu. Não implantou, então, um novo regime autoritário, mas se sentiu com forças para impor ao país um liberalismo econômico que, além de injusto e antidemocrático, é ineficaz em levar o Brasil a voltar a se desenvolver. A esquerda pode e deve protestar contra isso, mas não deve cair no mesmo erro. Nosso discurso deve ser indignado, mas não deve ser radical. Ao não deixar espaço para o acordo, um discurso radical leva o país a um impasse e arrisca a democracia.