OTHER TYPES OF WORKS

  • 03-2018-capa-em-busca-de-desenvolvimento-perdido
  • 05-2009-capa-mondialisation-et-competition
  • 15-1968-capa-desenvolvimento-e-crise-no-brasil-1930-1967
  • 12-1982-capa-a-sociedade-estatal-e-a-tecnoburocracia
  • 2006-capa-as-revolucoes-utopicas-dos-anos-60
  • 07-2004-capa-democracy-and-public-management-reform
  • 2014-capa-developmental-macroeconomics-new-developmentalism
  • 01-2021
  • 10-1998-capa-reforma-do-estado-para-a-cidadania
  • 09-1993-capa-reformas-economicas-em-democracias-novas
  • 13-1988-capa-lucro-acumulacao-e-crise-2a-edicao
  • 16-2015-capa-a-teoria-economica-na-obra-de-bresser-pereira-3
  • 05-2010-capa-globalization-and-competition
  • 10-1999-capa-reforma-del-estado-para-la-ciudadania
  • 08-1984-capa-desenvolvimento-e-crise-no-brasil-1930-1983
  • 05-2010-capa-globalixacion-y-competencia
  • 11-1992-capa-a-crise-do-estado
  • 02-2021-capa-a-construcao-politica-e-economica-do-brasil
  • 17-2004-capa-em-busca-do-novo
  • 09-1993-capa-economic-reforms-in-new-democracies
  • 04-2016-capa-macroeconomia-desenvolvimentista
  • 05-2009-capa-globalizacao-e-competicao
  • 06-2009-capa-construindo-o-estado-republicano

Pacificação nacional

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Nota no Facebook, 20.6.2017

.


O Brasil precisa sair da crise política – algo que só poderá ser definitivo quando houver eleições gerais. Por isso é importante que se faça a antecipação das eleições.

Mas, enquanto isso não acontece, é preciso que, de um lado, o governo deixe de considerar como condição de sobrevivência a adoção de reformas contra os trabalhadores – a reforma trabalhista; seus defensores devem deixar o problema para o novo governo que sair das eleições. E de outro, que a Operação Lava Jato abandone o jacobinismo moral.

Nessa direção, a decisão do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, de distinguir “caixa 2” de corrupção é bem-vinda. Caixa 2 são doações ou presentes não-declarados a políticos sem que o doador receba algo específico em troca. Não são, portanto, propina. Os doadores contam apenas com uma certa “boa vontade” dos políticos. Com essa decisão muitos políticos se sentirão mais aliviados, e com mais autonomia para contribuírem para a pacificação nacional.

Mas isto não significa que o caminho para a antecipação das eleições está aberto. O mais provável é que Temer termine seu mandato, dado o apoio que continua a ter nas elites liberais do país. Para elas as “reformas” viraram uma condição para o desenvolvimento econômico. Não são. Uma reforma da previdência é inevitável; já a reforma trabalhista é desnecessária. Hoje, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado a recusou. Definitivamente, não são salários indiretos altos demais que impedem o desenvolvimento do Brasil. Tentar levar adiante essas reformas em um quadro de profunda ilegitimidade do governo é um absurdo. Apenas aprofunda a divisão da nação brasileira e a enfraquece.

A outra alternativa é Temer ser impedido e termos eleições indiretas. Uma solução desse tipo implica a escolha de um o presidente temporário que, diante da crise política, se veja como transitório, e transfira a definição e aprovação de reformas para o novo governo que será eleito no final do próximo ano. Esse governo concentrar-se-ia em medidas de curto prazo para superar a recessão e garantir a normalidade democrática no processo sucessório. No meio da confusão na qual estamos metidos, essa é uma boa alternativa pacificadora.