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Pacificação

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Nota no Facebook, 25.5.2017

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A notícia de Folha de hoje segundo a qual “as articulações para a substituição do presidente Michel Temer evoluíram nas três principais forças políticas do país –PMDB, PSDB e PT– e agora envolvem diretamente três ex-presidentes da República: Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e José Sarney” é uma excelente notícia. Um acordo mínimo patrocinado por senadores encabeçados pela senadora Katia Abreu e envolvendo os três ex-presidentes abriria caminho à pacificação nacional, hoje tão necessária.

Hoje, depois da crise em que se envolveu Michael Temer, ficaram claras duas coisas: primeiro, que ele não tem mais condições de se manter na presidência da República; e, segundo, que a discussão sobre a reforma da previdência e a reforma trabalhista precisam esperar a eleição de um novo governo em 2018. Temer não se desmoralizou apenas no plano moral; o fato de ter adotado reformas neoliberais radicais que jamais estiveram na sua agenda política representou uma traição a seus eleitores e foi igualmente desmoralizante.

O acordo mínimo agora necessário deve, a meu ver, conter três pontos: primeiro, o novo presidente eleito por eleição indireta deve ser uma figura neutra partidariamente que se disponha a presidir de forma imparcial as eleições do próximo ano; segundo, a discussão das reformas liberais fica adiada para 2019; e, terceiro, o governo toma novas medidas de curto prazo para apressar a saída da recessão.

Observe-se que pensei melhor e abandonei a proposta de eleição direta para a substituição de Temer que defendi nesta página. Concluí que uma eleição direta para ocupar o governo durante um período muito curto não faz sentido. Apenas prolongará e exacerbará a crise política.

Será possível o acordo mínimo acima referido? A crise tornou-se tão profunda que minha resposta é sim. O impeachment foi decretado em um momento em que o liberalismo financeiro-rentista, apoiado pela operação Lava Jato, havia conseguido passar a ideia que a corrupção ocorrera principalmente no PT. Foi essa crença que levou a classe média a participar de grandes manifestações populares. Mas agora, com os escândalos envolvendo também o PMDB e o PSDB, o liberalismo moralista deixou de fazer sentido, e os brasileiros estão começando a pensar e a voltar a fazer política, ao invés de serem tomados pelo ódio e pela luta de classes de cima para baixo.

Vamos esperar que o acordo que começa a se delinear ganhe força. Restabeleceremos, assim, o acordo básico que caracteriza todos os regimes democráticos; um acordo que não visa resolver os conflitos, mas voltar a fazer política para resolvê-los. Um acordo entre Fernando Henrique Cardoso e Lula, entre o PT e o PSDB, com participação de José Sarney e o apoio do Senado é hoje não só possível, mas urgente.