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Poupança externa' e imperialismo

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Página do Facebook, 7.6.2015

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Nota novo-desenvolvimentista 10. O Brasil, como praticamente todos os países em desenvolvimento do mundo, não precisa de capital externo para crescer. Não precisa porque não interessa a esses países ter os déficits em conta corrente que os leva a "precisar" do capital externo. Mas nos dizem que esses déficits são "poupança externa" que irá aumentar a taxa de investimento do país, e nós acreditamos. Na verdade, quando, para financiar esses déficits em conta corrente, entram no país os financiamentos em moeda estrangeira e os investimentos diretos das multinacionais, eles são prejudiciais ao país, porque apreciam sua taxa de câmbio e desestimulam senão tornam inviáveis os investimentos de suas empresas industriais. A estória que os déficits em conta corrente e seu financiamento são "poupança externa" que se soma à poupança interna e aumenta a taxa de investimento é falsa; essa estória interessa aos países ricos que querem nos financiar, não aos aos países em desenvolvimento. Como a taxa de substituição da poupança interna pela externa é geralmente alta, a tal poupança externa acaba financiando consumo, não investimento.



Em 2014 o déficit em conta corrente do Brasil foi de 4,17% do PIB, e foi financiado em grande parte por investimentos diretos externos. Quanto disso se transformou em investimento, já que tudo foi poupança externa? Nada; virou tudo consumo.

Se um país quer realmente crescer, não deve ouvir os países ricos, que nos dizem que "países ricos em capital devem transferir seus capitais para países pobres em capital". Isto parece verdade, mas é tão verdade quanto a afirmação que a terra é plana... Ao invés, deve ter déficit em conta corrente zero, ou um pequeno superávit. Em consequência sua taxa de câmbio será competitiva, tornando suas boas empresas nacionais competitivas, e elas passam a investir mais, e o país a crescer muito mais.

Só em situações muito particulares os déficits em conta corrente, financiados seja por financiamentos ou por investimentos diretos, ajudam ao invés de atrapalhar o desenvolvimento econômico de um país . Mas situações desse tipo não existem no Brasil há mais de 30 anos.



Ao invés de nos ajudarem a investir, esses recurso financiam consumo. Mas seus proprietários ficam com o direito de transferir lucros e juros para suas matrizes no exterior por um tempo indefinido. E, mais cedo ou mais tarde, o país entra em crise de balanço de pagamentos.



Essa é a forma pela qual o imperialismo moderno explora os países em desenvolvimento. Por que permitimos? Devido à dependência das nossas elites, que não percebem quão prejudicial é para o país a "poupança externa", ou, em outras palavras, o déficit em conta corrente.