Um programa para Luís Arce na Bolívia

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Nota no Facebook e Twitter, 21.10.2020

A vitória do candidato de esquerda, Luis Arce, da Bolívia, mostra que o povo sabe reconhecer os bons governos – no caso, o governo de Evo Morales, que foi vítima de um golpe de Estado. 

Esta vitória é uma nova oportunidade para um governo social-desenvolvimentista promover o desenvolvimento econômico da Bolívia com estabilidade e diminuição da desigualdade.

Na América Latina, um governo ou é desenvolvimentista, porque intervém moderadamente na economia e é nacionalista econômico, ou é liberal e entreguista e portanto associado aos interesses do império americano.

Se o governo for liberal, sabemos que não promoverá o desenvolvimento econômico do país; poderá, no máximo, manter sua estabilidade, mas como vimos recentemente com Macri na Argentina, nem isto o liberalismo econômico assegura.

Se o governo for desenvolvimentista, existirá a possibilidade de desenvolvimento econômico, mas ele não estará assegurado. Além de promover a diminuição da desigualdade ele terá que rejeitar déficits fiscais e principalmente déficits em conta corrente.

Só sendo responsável no plano fiscal, a Bolívia poderá ter recursos para financiar os investimentos públicos, que são fundamentais para o desenvolvimento econômico. Só rejeitando o populismo cambial poderá neutralizar a doença holandesa e se industrializar.

Para neutralizar a doença holandesa a Bolívia deverá criar um sistema de tarifas aduaneiras sobre bens manufaturados – tarifas que variem de acordo com os preços das commodities exportadas.

Para manter o equilíbrio e crescer, o governo boliviano deverá ter como objetivos macroeconômicos não apenas o controle da inflação, mas ter uma meta de superavit em conta-corrente que assegure uma taxa de câmbio compatível com a industrialização.

Em síntese, Luis Arce, que chega ao poder com grandes esperanças, deverá adotar um projeto nacional novo-desenvolvimentista.
  


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