Luiz Carlos Bresser-Pereira
Revista Econömica, Niterói, v.14, n.1: 09-32, junho 2012.

O núcleo duro do pensamento econômico neoclássico (equilíbrio geral, macroeconomia das expectativas racionais e modelos de crescimento endógeno) está essencialmente equivocado, porque adota um método hipotético-dedutivo que é apropriado para as ciências metodológicas, enquanto que uma ciência social substantiva exige um método empírico ou histórico-dedutivo. Embora a microeconomia marshalliana também seja hipotético-dedutiva, ela é uma realização importante porque na verdade fundou uma ciência metodológica: a tomada de decisões econômicas, mais tarde completada pela teoria dos jogos. Como o pensamento dedutivo permite o raciocínio matemático, os modelos resultantes são aparentemente científicos e constituem o núcleo do pensamento econômico dominante.  Mas muitas vezes são “raciocínios” econômicos, não teorias reais capazes de prever e orientar. Esse fato tornou-se óbvio na crise financeira global de 2008. Agora é a hora de mudar o pensamento dominante, e o presente trabalho é um manifesto acadêmico nesse sentido. Precisamos de uma teoria econômica modesta e pragmática – uma economia keynesiano–estruturalista que leve em conta não apenas a agência, mas também as estruturas e instituições.

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