Luiz Carlos Bresser-Pereira
Revista de Economia Política 29 (2) abril 2009: 163-191.

A teoria econômica neoclássica usa principalmente o método hipotético-dedutivo, mas esse método é próprio das ciências metodológicas, e não das ciências substantivas. Para as ciências substantivas sociais o método que deve ter prioridade é o histórico-dedutivo usado pela Escola Clássica e pela Keynesiana. Apenas através da adoção desse método, os economistas logram o objetivo principal da Economia explicar e prever o comportamento dos sistemas econômicos. Nessa tarefa, eles terão que ser modestos porque os sistemas econômicos são sistemas abertos, diferentes dos sistemas fechados que resultam do método hipotético-dedutivo. São sistemas que não podem ser integralmente formalizados, reduzidos à matemática. Os economistas devem buscar explicações racionais, mas a posteriori. Primeiro eles deverão abduzir hipóteses a partir das tendências e regularidades observadas, para depois deduzir teorias e testá-las indutivamente. O coração da Economia é formado pela Teoria Microeconômica e a Teoria do Desenvolvimento Capitalista Clássica, e pela Macroeconomia Keynesiana, que usam o método histórico-dedutivo. A Microeconomia Neoclássica pode ser complementar, ou então constituir uma ciência metodológica à parte que eu chamaria Microeconomia da Escolha, extirpados os modelos substantivos da Microeconomia Neoclássica, especialmente a teoria do valor subjetivo e o modelo de equilíbrio geral.